quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Bengala

Quando a angústia, a preocupação ou a incerteza me batem à porta não lhes abro a porta. Como a todos, elas também gostam de me visitar. Às vezes batem de leve, outras vezes batem com violência, outras insistem um pouco, outras parece que não querem largar a porta mais parece quererem arrombá-la. Mas eu, na minha teimosia, não lhes abro a porta. Não porque seja melhor que os outros, mas porque não aconteceu e entendo que tenho feito bem. Às vezes a casa treme, os vidros parecem querer estoirar, o telhado vê-se ameaçado, a chaminé silva como em dia de ventania. Às vezes dá vontade de abrir a porta e fugir para longe para não ter que viver debaixo do mesmo tecto que elas. Mas não! Não fujo e não abro a porta. Depois, percebo sempre que valeu a pena. Deus manda-me uma visita suave, prestável, disponível, como uma bengala para que me apoie na fragilidade deixada pela ventania da angústia que queria entrar, da preocupação que queria instalar-se, da incerteza que queria dominar. Pode ficar a fragilidade mas não fica nenhuma delas em mim porque não lhes abro a porta. Deus manda-me sempre uma bengala para apoiar essa fragilidade.

1 comentário:

Flor disse...

Obrigada por esta mensagem... Vou tentar tanbém não lhes abrir a porta pois têm vindo me visitar, ontem por exemplo só me apetecia largar tudo mas não o fiz nem vou fazelo ja o fiz uma vez e vejo que fui fraca e deijeime assustar. mas agora não fujo e não abro a porta o mais dificil que seja mesmo naqueles dias em que angustia não me larga e nem sei explicar porque ,me sinto assim mas custa tanto a suportar mas la esta, Deus manda-nos sempre uma bengala para apoiar as nossas fragilidades. Do fundo do coração obrigada... não imagina como estas palavras vieram me dar forças para continuar no meio de tamanha tempestade.....bom dia..